Procura-se Marido

Originalmente publicado em 30 de agosto de 2015.

De todas a várias diferenças entre a minha vida no Brasil e a minha vida no Peru, está a forma como os meus amigos peruanos encaram o fato de eu ainda não ter casado. No Brasil, quase sempre eu era motivo de "piadinhas". Já aqui no Peru tudo é bem diferente.

O fenômeno mais comum é que os pais de jovens solteiros se apaixonem por mim e comecem altos investimentos para que o filho sinta o mesmo. Daí também tem os amigos que tentam apresentar outros amigos, ou então amigos que apresentam irmãos. Exitem ainda as mães de amigos que vão em busca do homem perfeito pra mim. Se eu fosse contar cada história em particular já poderia escrever meu livro.

A história de ontem foi engraçada. A mãe de um amigo me adotou como filha, e desde então está a procura de um marido para mim. O primeiro candidato foi o filho mais velho que também é meu amigo, mas ele rapidamente comentou que somos bons amigos e nada mais. Por se tratar de uma família grande, da mesma forma que ganhei mãe e irmãos, também ganhei tias. Uma dessas tias adotou um jovem médico, solteiro. Então duas mães postiças armaram o plano.

Minha mãe adotiva (MA) me ligou perguntando se eu aceitaria almoçar na casa da tia adotiva (TA). Tentei marcar para outro dia, mas notei que elas queriam que fosse esse sábado, a princípio não entendi porque, mas ok. Aceitei.

Chegou o sábado, me encontrei com MA e fomos, até onde eu imaginava para a casa da TA. No caminho MA me conta que havia um jovem, medico, solteiro, e que era como filho da TA, e que estávamos indo pra casa dele. Porque ele conseguiu um trabalho no sul do Peru e viajaria em dois dias. Fiquei um pouco perplexa, sentindo que estava indo rumo ao matadouro, mas já estava ali, assim que decidi seguir.

Cogitei a hipótese de ir rapidinho e MA me olhou e proibiu. Até assustei, mas com uma única frase no castelhano do norte do Peru ela disse "não seja engraçadinha! Vamos ficar até o último minuto". Meu queixo caiu. Mas eu que não ia começar uma briga com uma senhora peruana daquele calibre. 

Finalmente chegamos, estávamos na porta da casa, saiu o rapaz, na verdade um jovem senhor de quase 40 anos. A primeira impressão foi que não fazia meu tipo, almoçamos, passamos a tarde toda na casa dele (parecia não terminar), e no começo da noite antes de ir a última impressão foi: não faz o meu tipo. Um rapaz inteligente, simpático, gente boa, um bom candidato para amigo.

Depois de tudo, voltei pra casa pensando, porque será que por todos os lados as pessoas querem me apresentar a alguém? Tenho cara de desespero? Não sei, só sei que muitas histórias dessas ainda vão passar, no fundo eu acabo me divertindo, é interessante conhecer mais da forma peruana de ser "cupido". E não vale a pena ficar brava, ou com vergonha.

De repente alguém acerta... quem sabe?



Comentários

  1. com quantos anos os peruanos costumam casar?

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  2. Por incrível que pareça, assim como no Brasil tem de tudo... mas dizem as pesquisas que a maioria se casa entre 25 e 34 anos.

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