O ônibus não passou

Publicado originalmente em 23 de agosto de 2015.

Tudo começou no momento em que percebi que tinha muita coisa pra fazer no trabalho e tinha um compromisso com meu afilhado, e não sabia como conciliar tudo. Não... espera, tudo começou com o fato de não ter internet em casa e não poder terminar meu trabalho no aconchego da minha cama.

Tive uma ideia brilhante... faço o meu trabalho até às 18h30min, vou na casa do meu compadre e volto ao escritório às 21h trabalho até as 23h e pronto! Parecia uma ideia genial, eu tinha tudo bem esquematizado, não tinha como dar errado.

Saí na hora estimada e lembrei que é aniversário de criança, e não posso chegar sem presente... Putz, estava sem dinheiro,fiz as contas e encontrei um presente que deixava meu orçamento um pouco comprometido, mas valia a pena. Comprei!

Meu afilhado é tão lindo e gosta de brincar com a madrinha, detalhe: ele não se cansa!!! Bom, fiquei até meia hora mais da hora planejada. Cheguei no escritório quase às 22h, mas tinha esperanças de trabalhar até às 23h30min, ir pra casa descansar um pouco e voltar às 6h do dia seguinte pra continuar. Ainda parecia um plano perfeito.

Foi então que olhei o relógio. 23h57min. Quase morri e pensei "será que consigo ônibus?" porque apesar de que o taxi é super barato aqui no Peru, com o orçamento apertado não tinha nenhuma possibilidade de pagar um taxi. Cheguei no ponto de ônibus às 00h05min e não tinha nem uma alma viva, preferi andar até o próximo ponto, e senti alívio quando vi pessoas!!!

Esperei, esperei, esperei... E ficamos duas pessoas no ponto, um cara e eu. E nada, estava decidida a esperar o tempo que o cara também ficasse no ponto. Ele saiu. Pedi em pensamento pra ele voltar, mas não funcionou, me deixou, perdeu as esperanças. Pensei de novo, não tinha o suficiente para pagar um taxi, e não passava ônibus, não tinha nenhum amigo que morasse perto. Decidi caminhar. 

Caminhei essa distancia...
Os pontinhos azuis representam meu passos. Não é muito, mas às 00h30min não tem ninguém na rua e fui pedindo a Deus que os ladrões, estupradores, nóias... também estivessem dormindo. Suei, me concentrei em não fazer cara de medo (pra que??? se não tinha ninguém) caso alguém me visse. Andava como se a qualquer minuto fosse entrar na minha casa.

O balão vermelho foi meu destino final, "el puente de la U de Lima", uma ponte de pedestres. E dei de frente com um morador de rua fumando, deu um pouco de medo, mas corri. Cheguei no meu "ponto de ônibus da esperança" e chegou uma van!!! Que alegria. Nunca pensei me emocionar tanto por ver uma van.

Cheguei em casa depois da 1h40min, mas cheguei. Se você for peruano ao ler isso vai me mandar uma mensagem dizendo que sou louca de andar tudo isso a essa hora, mas se for brasileiro como eu... ahh, o que importa é que tá viva!

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