O Conto do Girassol Solitário - Parte 1


Era Girassol que nasceu num vaso, tudo que ele conhecia era aquele pequeno espaço, não tinha coragem de se aventurar fora dali. As pessoas passavam e admiravam, era lindo e triste ver aquela bela flor tão sozinha num canto de uma sala. O que ninguém sabia é que o Girassol era feliz ali, apesar de nunca ter convivido com outros girassóis tinha tudo que precisava. Era sempre elogiado, tinha quem o regasse com água fresca, o colocasse ao sol pela manhã, todos que entravam naquela sala se alegravam pela presença do Girassol. O que mais ele poderia querer? Estava confortável!
Certo dia os donos do Girassol mudaram-se para outro país e o levaram. Doaram a planta para uma senhora que adorava flores. Eles sabiam que o Girassol estaria em boas mãos. Em sua nova casa o Girassol foi colocado no quintal juntamente com as outras flores, tudo era novo, as flores eram lindas, sua nova dona não media esforços para manter tudo sob a mais perfeita harmonia. Porém com o tempo algo começou a incomodar o Girassol. Aquele quintal era tão florido que a sua presença não podia ser notada. Ao seu redor havia flores de todas as espécies, e os visitantes mal conseguiam enxergar o brilho de suas pétalas amarelas. Era triste ser mais uma planta, ele gostava de ser especial.
A tristeza começou a ser notada e então a dona resolveu trocá-lo de lugar, o levou para a cozinha, ali o ambiente era claro e arejado. O sol da manhã se refletia nas paredes e iluminava tudo. Para o Girassol a mudança foi importante, novamente poderia sentir-se especial.
Tudo ia muito bem, o Girassol tinha mais uma vez tudo que precisava, era admirado e o centro das atenções. Até que uma Margarida foi colocada ao seu lado. Era uma flor simples, delicada e detentora de uma beleza singular notada por poucos. A Margarida esbanjava uma energia tão atraente que o Girassol se interessou em conhecê-la melhor. Foi o início de uma linda amizade. Ambos desfrutavam da companhia um do outro. Tudo ficava mais alegre quando as duas plantas eram colocadas lado a lado. O que mais o Girassol poderia querer? Tinha tudo que precisava e agora uma amiga! Para o Girassol aquela amizade foi se tornando cada dia mais especial, ele contava os segundos para passar tempo com a Margarida.
Um dia, porém, ele se assustou com a notícia de que a Margarida pertencia a outro dono. Isso o deixou muito abalado. A única flor com quem tivera um contato tão especial a qualquer momento poderia ir embora para sempre. Uma idéia lhe ocorreu, tinha que encontrar algo que substituísse a Margarida, que lhe desse o mesmo prazer e que o fizesse lembrar-se dos momentos felizes. E encontrou. Um vaso com Margaridas artificiais foi colocado bem próximo dali. Era tudo que o Girassol precisava, uma nova experiência! Passou então a manter maior contato com aquele objeto. E por incrível que pareça aquela falsa planta era bem parecida com a Margarida. Teve certeza que assim não sofreria a perda repentina que viria a qualquer momento.
A Falsa Margarida tinha um jeito um pouquinho diferente da verdadeira, mas era agradável, não possuía o mesmo aroma, nem a mesma delicadeza, nem o toque, mas estava ali e queria dar o melhor que tinha para o Girassol.
        Era fácil conviver com as duas, a Margarida e a Falsa Margarida. Ele estava feliz.
        Um dia a Falsa Margarida pediu ao Girassol uma chance para fazê-lo feliz e mesmo tendo medo ele aceitou. Mas e a Margarida? Como reagiria? Ela não reagiu, continuou agindo como se nada estivesse acontecendo. O relacionamento com a Falsa Margarida não era ruim, mas também não era bom. Neutro. Indiferente. Conveniente.
        Numa conversa íntima com a Margarida ele descobriu que o seu dono havia desistido dela e deixado que ela ficasse ali pra sempre. Descobriu também que a Margarida estava pronta pra ser sua companheira, porém ele havia escolhido a Falsa Margarida. Não seria possível maior intimidade entre eles, a Margarida não era capaz de magoar a Falsa Margarida. O Girassol ficou atormentado, dividido, confuso. Tomou uma decisão: abriria mão das duas flores, a verdadeira, a Margarida que lhe trazia momentos felizes, que completava, que encantava e a Falsa Margarida que o amava. (Continua)

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