Vamos falar sobre música cristã?


A música cristã sempre esteve presente na minha vida, minha mãe contava que quando estava grávida, ela cantava pra barriga (inclusive dizia que era graças a ela que minha irmã e eu éramos afinadas pra cantar). Meus tios e primos paternos sempre estiveram envolvidos com música, meus avós paternos formavam um dueto. Eu não toco nenhum instrumento musical, mas sempre tivemos mais de um em casa. O interessante é que apesar de termos recebido as mesmas influências, minha irmã e não temos o mesmo gosto musical.

E é mais ou menos sobre isso que quero falar, gosto musical. Sabemos que gosto não se discute, que cada ser humano é único e esse pacote é um combo de diferenças e semelhanças com os demais da espécie (e de outras espécies também... risos). Mas é interessante que quase todo ser humano ter em si o desejo de que o outro goste, se comporte, creia nas mesmas que coisas que ele, e é aí que começam as brigas. 

O que eu penso sobre a música cristã, repito... o que EU penso. Não se trata de uma doutrina da minha igreja, nem quero que todos pensem como eu, é somente a minha opinião.

Dentro da Igreja
A música cristã durante os cultos, pra mim, deve ser uma forma de elevar meus pensamentos a Deus em louvor e adoração, ou em contrição, ou em gratidão, seja pela reflexão quando o cantor conta uma história na canção, seja pela melodia inspiradora, ou mesmo pela menção de textos bíblicos na letra (veja Deuteronômio 10:21).

Cultura
Na minha opinião, o contexto cultural impacta na estrutura da melodia, já que os ritmos e instrumentos variam muito de uma cultura para a outra, sem contar que alguns tipos de instrumentos conhecidos e populares em um determinado lugar podem nem sequer ser conhecidos em outro, mas (veja Gálatas 3:28) isso não deveria modificar a ideia de que a canção, assim como a oração, deve nos elevar a Deus.

Apresentações musicais
Não estou de acordo em substituir um culto por uma apresentação puramente musical, assim como não concordo com um culto em que passamos 1h ou mais somente em oração, e por favor, não se escandalize com essa declaração. O cérebro humano tem um período natural de concentração, uma mesma atividade, por exemplo um sermão, se realizada por um longo período de tempo correo o grande risco de perder o sentido já que os que assistem provavelmente perderão o foco em algum momento. 

Isso não quer dizer que eu seja contra as apresentações musicais, mas prefiro quando elas são intercaladas com momentos de oração, testemunhos e outros que possam favorecer o crescimento espiritual de quem assiste. Infelizmente, alguns cantores cristãos, são adeptos aos "shows", cantam, cantam, e mostram todo o seu talento musical, porém, só isso (veja Filipenses 2:3). O que transforma uma música em louvor não é somente a letra cristocêntrica, mas o conjunto intencionalmente estruturado para render honras a Deus. Se o foco é a forma e o talento, então pra mim, não serve como ferramenta de adoração, se torna simples entretenimento.

Um ministério
Muitos cantores cristãos vivem do ministério, particularmente não vejo que isso seja um problema em si. Pra mim, o problema começa quando o foco muda (veja Romanos 12:6-8), e passamos a exaltar a criatura e não o Criador. Por exemplo, uma reunião cristã com os cantores da igreja local tem uma quantidade de espectadores, porém uma reunião com um cantor cristão que aparece na TV tem 100 vezes mais pessoas. Por quê? Será que Deus é o centro realmente? Será que não é somente o meu desejo por ouvir música de qualidade? E onde fica a adoração?

Em duas oportunidades presenciei cantores adventistas, muito "famosos" no meio gospel em geral, interromperem sua apresentação porque haviam muitas pessoas que se levantaram pra ir la pra frente tirar fotos. Não é estranho escutar um cristão contar que uma reunião foi muito boa porque tal cantor, ou tal grupo esteve lá, mas com que frequência os irmão voltam pra casa contando o quão inspirador foi, ou quantas pessoas renovaram seus laços com Deus. Sabemos quais músicas foram cantadas, mas não lembramos quais versos bíblicos foram lidos.

Movidos pela emoção
A música tem um grande poder sobre as emoções humanas, existem inúmeras teses, livros, pesquisas sobre a influência da música no comportamento humano (clique para ver a busca) e esse material não é somente de cristãos. É um fato, a música tem poder (pode curar, acalmar, excitar, angustiar, alegrar...). No ambiente cristão, algumas melodias mexem tão fortemente com as emoções que achamos que é a manifestação do poder de Deus, mas Ele nos convida a um culto racional (veja Romanos 12:1). 

E o que acontece? Nos viciamos em emoções, e deixamos de lado a compreensão racional do que Deus quer fazer e faz por nós. Escutamos muita música e lemos pouco a Bíblia, cantamos muito e oramos pouco. Sentimos remorso dos nossos pecados, mas não nos arrependemos genuinamente buscando a mudança, aquele "vá e não peques mais". 

Bom, querido leitor... essa é somente uma parte da minha opinião, mas sabe, sempre me faço recordar que a responsabilidade a respeito da minha conduta espiritual é só minha e a sua só sua. Não creio na postura condenatória (quem sou eu pra julgar, e pior condenar? Só o Juiz pode fazê-lo) dos fariseus em apontar os erros dos outros, porque como diz Paulo "dos pecadores o principal sou eu". Compartilho a minha opinião como forma de ajudar a mais pessoas a buscarem por si só conhecer a palavra de Deus e se aproximar Dele.

E por fim, que a nossa adoração pessoal não dependa unicamente da qualidade da música, ou da fama do pregador, ou ainda da estrutura física da igreja, que nossa entrega seja real, porque Deus é real, que sejamos fieis, porque Deus é fiel, que aceitemos sua graça e a cada dia entreguemos nosso ser em Suas mãos.

Um forte abraço e até a próxima! 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu vou morar nas Filipinas

Por que vou para o Peru?

Me declaro desenraizada (síndrome de Ulisses)